O desenvolvimento infantil através do Judô

Categorias: Artigos , CTJ , Judô 4 comentário(s)

É muito comum atualmente ver pais matricularem seus filhos no Judô, pois acreditam eles que por ser uma arte marcial japonesa, a criança será formada com valores como respeito, integridade, disciplina, entre outras coisas.

Criançada na Copa Interna de Judo - CTJ

Criançada na Copa Interna de Judo - CTJ

Isso é certo, mas também é errado. Não basta matricular o filho numa academia para achar que ele se tornará outra pessoa. A educação da criança deve ser o mais uniforme possível tanto em sua escola como em sua casa e em seu dojo (local de treino). As vezes, basta um exemplo aparentemente inocente dado pelos pais que a criança copia e aprende de modo equivocado (como o caso do vaso roubado – leia aqui). Além disso, a grande vantagem do judô para as crianças não é o fato de ser uma arte marcial japonesa com seus conceitos rígidos, mas outros muito mais importantes.

Segundo Piaget – cientista que estudou os estágios de desenvolvimento infantil – a criança passa por algumas fases durante o seu crescimento. Normalmente quando matriculadas no Judô, as crianças encontram-se na fase que Piaget chama de Estágio Pré-Operatório (entre 2 e 7 anos de idade). Esta fase é também chamada de fase intuitiva, e é de extrema importância para o desenvolvimento da criança, e é nesta fase que a criança usa a estratégia do jogo simbólico para organizar e compreender o mundo, além de usar o jogo para livrar-se de algumas angústias.

No jogo simbólico, a criança fantasia a realidade. Diz que seu carrinho de brinquedo é uma nave espacial, e que seu boneco tem superpoderes. Diz que duas pedras no chão é a base secreta, e se passa uma formiga, é um dinossauro gigante. Tudo isso faz muito sentido para a criança, apesar de que, as vezes para os adultos, é uma fantasia irrelevante.

Meninas se divertindo com o Judô

Meninas se divertindo com o Judô

O judô trabalha muito com jogos simbólicos. É durante o treino que a criança cria certas fantasias para poder entender um golpe, entender a sua relação com a outra criança, entender que as vezes ela pode machucar o outro. Muitas vezes, a criança acha que o Judogi (kimono) é uma armadura que lhe dá poderes, e com isso, ela se sente capaz de usar o corpo para realizar os movimentos aprendidos, e assim, desenvolver sua capacidade motora.

Nessa fase do desenvolvimento infantil, a criança normalmente é egocêntrica, de modo que não consegue colocar-se no lugar de outra de maneira abstrata. O Judô trabalha isso com os jogos, as lutas e principalmente com a graduação. À medida que a criança cresce, ela se gradua, e ela percebe que deve ser exemplo para as crianças menos graduadas, que vão seguir o mesmo caminho que ela seguiu.

O respeito pelo outro é trabalhado no judô tanto através da graduação, onde a criança mais graduada percebe que deve ser exemplo, e a menos graduada percebe que deve respeitar tanto o professor como as crianças mais graduadas, como também é desenvolvido através do treino. Uma técnica pode machucar, e por isso, não deve ser aplicada para machucar o colega de treino. A criança aprende que ultrapassar os limites do seu próprio corpo pode significar machucar um amigo, e por isso, é preciso desenvolver um auto-controle.

Os jogos tem outro papel importante nesta fase do desenvolvimento: para a criança, o jogo não é apenas uma brincadeira, mas é um modo de organizar o mundo e entender qual o seu papel nesse mundo. Por isso, muitas vezes a criança não aceita a derrota com facilidade. As vezes cria estratégias nos jogos para modificar as regras e sair sempre vencendo, pois a derrota afeta sua auto-estima.

Aprendendo a vencer e a perder com as competições

Aprendendo a vencer e a perder com as competições

No Judô, as competições servem para trabalhar a derrota. Desde os treinos dentro do dojo, a criança vai aprendendo que numa luta, apesar de um vencer e outro perder, aquilo é momentâneo. Em competição, isso é trabalhado ao extremo, pois a criança é colocada para lutar contra uma outra criança normalmente desconhecida, e seus pais, amigos e o seu sensei estão lá torcendo por ela. Ela sente uma obrigação maior em vencer. É fundamental, neste momento, que desde o início a criança já esteja preparada para a derrota, e entenda a derrota não como a sua incompetência, mas sim, como algo natural que ela use para crescer e desenvolve-se, sem se colocar como um eterno perdedor. Por isso, as escolas de Judô realizam campeonatos internos, pois as crianças disputam contra conhecidos e tem seus pais torcendo, e nestes campeonatos o Sensei pode em cada luta ensinar o papel daquela derrota, e mostrar que é através de certas derrotas que cada vez mais vencemos.

O CTJ acompanha com todo o cuidado o desenvolvimento dos seus alunos e também se preocupa em dialogar com os pais para que estes informem ao Sensei como a criança está se comportando em casa e na escola, para que esta informação possa ser utilizada em seu desenvolvimento. Os pais, por sua vez, podem também participar do método do judô para o desenvolvimento infantil tanto assistindo às aulas, como estando presente nos eventos e também participando da Comunidade CTJ, ambiente virtual onde os pais podem trocar conhecimento com os diversos membros do CTJ, pois neste ambiente encontram-se colegas que são psicólogos, professores, advogados, educadores físicos, médicos, entre outros, e este ambiente de troca de conhecimento é de fundamental importância tanto para auxiliar o desenvolvimento dos filhos matriculados, como de todos os membros do CTJ.

Assim, se seu filho está matriculado no CTJ, faça parte da comunidade, para interagir com os outros membros e proporcionar à criança o melhor ambiente de desenvolvimento físico e moral. E se o seu filho ainda não faz Judô, procure matriculá-lo, pois estas são apenas algumas das diversas razões em que vale a pena ver a criança crescer neste ambiente de arte marcial.

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Escrito por CTJ   @   6 dezembro 2009 4 comentário(s)
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4 Comentário(s)


Comentários
dez 7, 2009
19:19
#1 Junior :

Sensei,

Esta matéria está muito boa. Além das “garotas-propagandas” serem lindas (rsrsrs – sou pai coruja), passa para todos os pais e familiares o quanto é importante o acompanhamento dos seus filhos dentro da arte marcial e o quanto a prática do Judô influencia positivamente no desenvolvimento das crianças, não esquecendo de informar que o acompanhamento doméstico e escolar devem andar parelhados com a prática do “caminho suave”.

Abraços,

JUNIOR

dez 8, 2009
13:52
#2 Guilherme Hupsel :

Ao abordar alguns tópicos, oferecendo o viés educacional da arte marcial (que tem caráter complementar e não único na formação infantil) proporciona, certamente, uma reflexão mais apurada dos pais quanto à criação dos filhos. Pratico judô desde criança, e sou testemunha dos grandes valores aprendidos no “caminho suave”. As orientações ministrads pelo Sensei, quando tem eco no ambiente familiar, certamente serão de grande valia na vida adulta de todos. Meu filho de 06 anos é judoca, e com certeza terá uma formação diferenciada de outras crianças não praticantes. Parabéns ao CTJ.

dez 16, 2009
08:20
#3 Eugenio Simoes :

Mestre,

O CTJ vem formando cidadãos e atletas cada vez melhores:
Parabens a Maria Fernanda, Brisa e Ju esse trio vai dar muito trabalho.

mai 4, 2010
09:02
#4 Victor Mascarenhas :

Sensei,
Meus parabéns!
Não só pela matéria, mas também pelo site.

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