Mitsuyo Maeda, o Conde Koma – A história do Jiu-Jitsu – Parte 3

Categorias: Artigos , Jiu-Jitsu , Judô 14 comentário(s)
Mitsuyo Maeda (Conde Koma)

Mitsuyo Maeda (Conde Koma)

Mitsuyo Maeda nasceu em 1878 em Aomori, Japão. Foi para Tóquio em 1894, com dezessete anos de idade, sendo que foi neste período que ele iniciou seus treinos nas artes marciais japonesas, mais precisamente no Kodokan. Antes de ter se matriculado no Kodokan, Maeda não havia nunca treinado nenhuma outra arte marcial japonesa, de modo que o Judô sempre foi a sua única bandeira. Teve no Kodokan como professor Tsunejiro Tomita, 4° dan de Judô e um dos quatro cavaleiros celestiais do Kodokan Judo.

Na primeira parte desta série de artigos, foi explicado o que significa o ju-jutsu e porque é importante entender o significado e as diferentes terminologias, como jiu-jitsu e judô. Na segunda parte, foi visto que as escolas antigas de ju-jutso (jujutso koryu) estavam em decadência, e foi Jigoro Kano quem unificou o ju-jutsu e criou o Kodokan, o principal centro de estudos do que passou a se chamar Kano Ju-jutsu, e posteriormente, Judô. Nesta terceira parte da série veremos como um grande guerreiro do Judô trouxe ao brasil esta arte e como ela chegou aos Gracies, permitindo a criação do que hoje se chama Brazilian Jiu-Jitsu, ou Gracie Jiu-Jitsu.

Mitsuyo Maeda - O Conde Koma

Mitsuyo Maeda - O Conde Koma

Durante seus treinos no Kodokan, Maeda treinou com os melhores, numa época em que o Kodokan realizava diversos desafios para comprovar a eficiência do Judô tanto como arte marcial, assim como esporte e sistema educacional. Em 1901, recebeu o terceiro dan e começou a ensinar nas universidades japonesas. Em 1904, o Sensei Jigoro Kano sugeriu que Maeda viajasse para os Estados Unidos, para divulgar o Judô, sendo que antes de partir, recebeu do Sensei Kano o quarto dan.

Esta etapa da vida de Maeda é muito importante. Foi nesse período de viagens que Maeda participou de diversos confrontos contra lutadores de outras artes marciais como o boxe ou a luta-livre. Quando esteve nos Eua, Maeda conseguiu derrotar oponentes muito mais altos do que ele, que tinha em torno de um metro e sessenta e seis, e também mais fortes. Viajou também para o Reino Unido, México, Cuba e França, realizando no total, segundo relatos, mais de 500 lutas oficiais contra os mais diversos oponentes e dentro de diversas regras, inclusive regras de vale-tudo. Devido a seu feito, em 1912 o Kodokan promoveu Maeda a 5° dan de Judô.

O apelido Conde Koma foi criado por ele quando esteve na espanha, para desafiar outro lutador japonês, sem ser reconhecido. Koma é uma abreviação de komaru, que significa “estar em situação delicada”. Ele retirou a última sílaba da palavra e adicionou o termo Conde, aceitando a sugestão de um amigo. Segundo alguns relatos, o estilo de luta de Maeda se resumia a iniciar o combate com chutes baixos e cotoveladas, para depois levar o oponente ao chão e finalizar, estilo este parecido com o de alguns atletas do Kodokan do início do século XX, desenvolvido por causa dos constantes desafios.

Kano Ju-Jutsu - Treino sem kimonos

Kano Ju-Jutsu - Treino sem kimonos

É importante notar que por causa das diversas viagens, Maeda pôde entrar em contato com outros japoneses que ensinavam Judô pelo mundo, além de entrar em contato com professores e mestres de outras lutas, assim como pôde desafiar campeões de boxe e luta-livre. Por conta disso, seu campo de conhecimento do judô não era apenas um conhecimento teórico típico de um mestre 5° dan, mas extremamente prático e amplo.

Maeda chegou ao Brasil em torno do ano de 1914, percorrendo diversas cidades brasileiras realizando demonstrações e lutas, como Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, Belém, São Luiz e Manaus.
Neste momento, é importante ter em mente a confusão terminológica que passa a ocorrer. Neste período, inclusive no Japão, o termo “ju-jutso” ou “kano ju-jutsu” era utilizado quando alguém estava se referindo à parte técnica, sendo que o termo judô só era utilizado para se referir à parte filosófica. Foi somente em 1925 que o governo japonês oficializou o nome Judô como o nome oficial da luta que era ensinada nas escolas públicas do país. Na época que chegou ao Brasil, o nome Judô não estava oficializado, e portanto, era comum e esperado que os japoneses chamassem aquela luta de ju-jutsu, ou kano ju-jutsu. Por conta disso, era possível ver manchetes nos jornais brasileiros como a manchetes a seguir, do jornal “O Tempo” (1915):

Chega hoje, a bordo do paquete “Pará”, a toupe de lutadores japoneses de “jiu-jitsu”, que vem fazer as delícias dos freqüentadores dos popularíssimos do Theatro Politheama.
Essa troupe que é chefiada pelo Conde Koma, campeão mundial de “Jiu-jitsu”, desembarcará em trajes orientais, percorrendo as ruas em automóveis.
Os espetáculos a serem realizados pela troupe são em números pequenos, porquanto tem ela de, em breve, realizar outros contatos.

A terminologia “jiu-jitsu” era a terminologia utilizada pelos brasileiros para referir-se à luta japonesa Kano Ju-Jutsu, que seria posteriormente rebatizada oficialmente como Judô. E foi por este nome que ficou conhecida a luta que Maeda ensinou, ao se estabelecer no Brasil.

Foi em Belém do Pará que Maeda fixou residência e abriu sua academia. Lá, conheceu Gastão Gracie, que ficou muito amigo de Maeda. Gastão levou seus filhos para treinar com Maeda e aprender aquele estilo de luta que o tornava campeão de quase todos os desafios. É neste momento que começa a história do período em que o Kano Ju-jutsu se especializa em uma arte única e poderosa que hoje conhecemos como Brazilian Jiu-Jitsu. Mas isso é assunto para o próximo artigo da série.

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Escrito por CTJ   @   9 janeiro 2010 14 comentário(s)
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14 Comentário(s)


Comentários
jan 11, 2010
12:51
#1 Eugenio :

Muito bacana, conhecer a raiz da arte que praticamos só acrescenta na nossa formação como futuros professores da nossa nobre arte.

Mais uma vez parabéns.

jan 14, 2010
15:03
#2 Tiago Jacaré :

Excelente material de pesquisa. Chegamos no ponto onde se dá início ao desenvolvimento do “Jiu-Jitsu Brasileiro”. Porém agora o conhecimento nos permite responder a uma pergunta que sempre causou uma enorme discussão: ” O Jiu-jitsu nasceu do Judô ou o Judô é filho do Jiu-jitsu?…”

mar 4, 2010
15:10
#3 José Adriano dos Santos :

O praticante de Jiu-Jitsu pode se defender de vários agressores ao mesmo tempo.

Sds,
Adriano.

mai 6, 2010
12:11
#4 um :

o judo naceu do jiu jitsu^^

e o jiu jitsu brasileiro e o melhor do mundo…

DE LA RIVA

mai 6, 2010
14:20
#5 Manabu :

Quem diz que o judô nasceu do jiu-jitsu precisa reescrever os livros de história, afinal, quem ensinou Hélio Gracie a lutar era… Um Judoca, aluno da Kodokan que só treinou a vida toda Judô Kodokan: Maeda.

jul 11, 2010
15:32
#6 Rasal :

Esse povo parece que tem sérios problemas de interpretação de texto. Leram a matéria e ainda teimam que o judô veio do jiu-jitsu…

out 2, 2010
11:12
#7 Eduardo :

De onde vocês tiraram essas fontes ?
São textos de uma comunidade que participo da Judô Tradicional, até a maneira de escrever é igual, estão copiando matérias do blog e não colocam referência, infelizmente tem gente que estuda e pesquisa e outros copiam sem ao menos citar as fontes, coisa feia.
Mas esse não é o primeiro blog que vejo fazer isso, informarei ao dono do blog.
Poderiam ao menos cita-lo.

Author out 2, 2010
16:05
#8 CTJ :

Olá Eduardo,

Você já nos fez esta pergunta antes, mas em outra postagem. Colarei aqui a mesma resposta dada a você, pois acho que não ficou claro. Mas dessa vez, clique nos links e observe os detalhes:

Todas as matérias que foram retiradas de outro site possuem a referência ao site-fonte.
Por exemplo, o texto http://www.judoctj.com.br/o-grande-torneio-entre-os-quatro-cavaleiros-celestiais-do-kodokan-judo-e-os-mestres-do-jujutsu/ foi retirado do excelente site http://judotradicionalgoshinjutsukan.blogspot.com, como citado no próprio texto.
O texto http://www.judoctj.com.br/historias-antigas-sobre-o-jiu-jitsu-e-a-luta-livre/ foi retirado do site do Mestre Roberto Leitão, conforme citado no texto.

Pelo conteúdo de sua mensagem, imagino que você tenha se referido ao site judotradicionalgoshinjutsukan.blogspot.com. Este site é realmente bom, e tão bom a ponto de estar na lista de links relacionados do nosso site, como você deve ter percebido na barra lateral. E sobre a comunidade do Orkut sobre Judô tradicional, sem dúvida ela também é excelente e é uma das inúmeras fontes que utilizamos para criar nossos textos, como este texto que criamos sobre o Maeda.

Os demais textos que não possuem fonte citada são 100% autoral da equipe do CTJ, escritos com palavras próprias fruto de pesquisa tanto nos livros de nossa biblioteca como também de outros sites. Quando o assunto é histórico, uma das primeiras fontes é sem dúvida o site judotradicionalgoshinjutsukan.blogspot.com, além do JudoInfo.com.

Como você tem acompanhado o nosso portal, pode ter percebido que nós não falamos apenas da questão histórica do Judô, mas de Educação, Jiu-Jitsu, MMA, dos eventos locais, enfim, tentamos informar da melhor maneira possível, sobre todos os aspectos.

A propósito, esse texto sobre o o Conde Koma não foi retirado de nenhum site, mas sim, fruto de diversas leituras, como já foi dito para você. Se tiver dúvidas, pode utilizar ferramentas como o site http://www.copyscape.com que indica quais trechos, frases ou textos são plágios ou originais. Verá que não há igual na internet.

Agora se você passar o texto http://www.judoctj.com.br/o-grande-torneio-entre-os-quatro-cavaleiros-celestiais-do-kodokan-judo-e-os-mestres-do-jujutsu/ encontrará dois resultados: o texto original e o de outro site que copiou, mas que, diferentemente de nós, não citou a fonte.

Nós temos o cuidado de garantir a melhor informação para os apaixonados pelo Judô com ética e respeito, que são valores trabalhados no Judô.

Sugiro que, antes de você avisar ao dono de outros blogs que nós estamos copiando, passe os nossos textos no Copyscape. Se surpreenderá e perceberá que essa atitude de atacar sites que buscam informar, antes de verificar utilizando tecnologias precisas é simplesmente desnecessária (e você terá a oportunidade de não causar um grande mal entendido)

Como foi dito, todas as fontes são citadas, quando os textos são copiados. Portanto, mais uma vez, verifique e leia com calma, pois a grande maioria dos textos aqui são próprios, inclusive este daqui, sobre o Maeda.

De qualquer forma, quando você tiver algum comentário positivo e que agregue conhecimento, também será sempre bem vindo.

nov 7, 2010
16:06
#9 Luís :

Achei muito interessante o texto,sou praticante de jiu-jitsu e judô e gostaria de lembrar que antes do mestre Kano unificar o estilo marcial japonês,criando o que mais tarde foi denominado judô,havia um tipo de jiu-jitsu diferente do que nós conhecemos como BJJ,e que era proibido aos japoneses o ensino de artes marciais a ocidentais.Mestre Kano criou um estilo para ser ensinado a não japoneses assim como outros mestre que criaram o Karatê e que esses estilos vieram de um jiu-jitsu tradicional diferente do nosso BJJ.Portanto podemos dizer que o Judô veio do jiu-jitsu e que o BJJ veio do judô,espero ter colaborado de algum modo.

Author nov 7, 2010
18:25
#10 CTJ :

Olá Luis,

Na verdade, há certo equivoco em seu comentário.
Antes da unificação das artes marciais japonesas realizadas por Jigoro Kano, não havia UM tipo de jiu-jitsu diferente do que nós conhecemos, como você disse.
O que acontece é que QUALQUER arte marcial japonesa era chamada de ju-jutsu (cuja pronuncia é djiu-djitsu). O Judô também era conhecido como ju-jutsu, porém, mais precisamente como Kano Ju-Jutsu.
Ou seja, no Japão antigo, pode-se dizer que o termo “ju-jutsu” era sinônimo de “arte marcial japonesa”, seja qual arte for esta.

Então, o que Jigoro Kano fez? Ele unificou os vários estilos de arte marciais japonesas que existiam no japão (lembrando que qualquer arte japonesa era chamada de ju-jutsu) e criou o Kano Ju-Jujutsu, ou Kodokan Ju-Jutsu. Depois ele mudou o nome para Judô (apesar de que já existia, entra os ju-jutsu’s antigos, um estilo conhecido como Judô).

Daí, um aluno da Kodokan quem ensinou o Kodokan Ju-jutso para os brasileiros, que preferiram manter o nome original, já que a Kodokan só realizou a mudança de nome muito tempo depois.

Então, pela ordem, temos:
1 – Várias artes marciais japonesas (todas conhecidas como ju-jutsu);
2 – Unificação das artes japonesas (Kodokan Ju-Jutsu)
3 – Ensino do Kodokan Ju-jutsu aos brasileiros (por Maeda)
4 – Mudança do nome, no Japão, do Kodokan Ju-Jutsu para Judô.

Outro equívoco em seu comentário é esse:
“que era proibido aos japoneses o ensino de artes marciais a ocidentais”
Isso é um mito que foi muito difundido no Brasil, mas que não se fundamenta em nenhum registro histórico. Nunca existiu tal coisa. Tanto que vários ocidentais aprenderam e continuam aprendendo os estilos japoneses, por completo.

A revista Tatame deste mês publicou uma matéria completa bem interessante sobre esse assunto, inclusive citando este mito de artes proibidas para ocidentais.

Abraços e obrigado por colaborar no nosso site.

nov 8, 2010
20:48
#11 Luís :

Ok meu amigo Felipe é sempre bom trocar informações e conhecer mais sobre artes marciais.

Author nov 8, 2010
23:21
#12 CTJ :

Fique à vontade.

A matéria publicada na revista “Tatame” desse mês tem ajudado muitas pessoas nesse assunto que é, de fato, um pouco confuso.
Mas continue participando.

Grande abraço!

dez 12, 2010
15:53
#13 a verdade :

conde koma radicado em Belém- Pa
Hélio Gracie nascido e aprendeu a lutar em Belém- Pa
Lyoto Machida- paraense de Belém- Pa

Se vc tb revolucionou o MMA, tb deve ser paraense

out 20, 2011
10:42
#14 Ricardo :

Excelente série de artigos. No aguardo da continuação. Discussões à parte, certo é que o praticante de BJJ tem muito a aprender com o Judô, assim como qualquer judoca tem muito a aprender com o BJJ.

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